Chegou com poucos meses e nunca conheceu colo de mãe.
Sou diretora do orfanato que acolheu o Augusto. Ele chegou aqui com poucos meses de vida, depois que os pais olharam para a pele ferida dele e decidiram ir embora.
Desde o primeiro dia, esse berço humilde é o mundo inteiro dele. E nós somos a única família que ele conhece.
Para o Augusto, cada carinho arde e sangra.
Um bebê aprende o mundo pelo toque: o abraço, o banho quentinho, a mão que acalma. Para ele, cada toque abre uma ferida nova.
Sem o tratamento certo, a dermatite chegou a um estado crítico. A cada semana, as feridas se abrem mais e o risco de infecção cresce.
A gente já tentou de tudo o que estava ao nosso alcance.
Pedimos ajuda à prefeitura, fizemos rifa e levamos a campanha para a rua, de cartaz na mão. As cuidadoras se revezam de madrugada para ele não se machucar dormindo.
Fazemos o possível com o pouco que temos. Mas a verdade é que não é suficiente para pagar o tratamento que ele precisa agora.
Começando agora, ele tem chance real de crescer com a pele saudável.
À noite, cobrimos as mãozinhas dele com luvinhas de tricô para que ele não se arranhe até sangrar. É o cuidado possível enquanto o tratamento de verdade não chega.
Se ele começar a tratar agora, pode ter uma vida completamente normal — poder abraçar sem se rasgar. Essa chance existe. Ela só está indo embora a cada dia que passa.